Tratamento cirúrgico de lipossarcoma retroperitoneais: análise retrospetiva de fatores de prognóstico

Autores

  • Alexandre Sousa Asistente Hospitalar do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO Porto
  • Pedro Martins Assistente Hospitalar do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO Porto
  • Mariana Afonso Assistente Hospitalar do Serviço de Anatomia Patológica do IPO Porto
  • Sofia Conde Assistente Hospitalar do Serviço de Radiooncologia do IPO Porto
  • Ana Ferreira Assistente Hospitalar do Serviço de Oncologia Médica do IPO Porto
  • Marta Soares Assistente Hospitalar Graduado do Serviço de Oncologia Médica do IPO Porto
  • José Dinis Assistente Hospitalar Graduado do Serviço de Oncologia Médica do IPO Porto
  • Flávio Videira Assistente Hospitalar Graduado do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO Porto
  • José Guimarães dos Santos Assistente Hospitalar Graduado do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO Porto
  • Augusto Moreira Assistente Hospitalar Graduado do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO Porto
  • Matilde Ribeiro Coordenadora da Clínica de Pele, Tecidos Moles e Osso do IPO Porto
  • Joaquim Abreu de Sousa Diretor do Serviço de Oncologia Cirúrgica do IPO Porto

DOI:

https://doi.org/10.57678/rpo.24

Palavras-chave:

lipossarcomas retroperitoneais, cirurgia, recidiva

Resumo

Introdução: Os tumores malignos retroperitoneais do tecido conjuntivo englobam uma grande variedade de entidades histológicas. Contudo, são frequentemente estudados como uma entidade única. Os lipossarcomas são o grupo mais comum. Foi revista uma coorte de doentes com lipossarcoma retroperitoneal de um centro de referência no sentido estabelecer os aspetos demográficos e terapêuticos com influência no prognóstico específicos desta doença.
Métodos: Realizou-se uma análise retrospetiva de uma coorte unicêntrica incluindo doentes submetidos a intervenção cirúrgica, com mais de 18 anos, com diagnóstico de lipossarcoma retroperitoneal diagnosticados e tratados
entre 2007 e 2013.
Resultados: Foram incluídos 55 doentes. Trinta e dois eram do sexo feminino (58%). Idade mediana foi de 62 anos (intervalo 19-84). O tamanho médio foi de 26.5 cm sendo a maioria dos doentes sintomáticos ao diagnóstico (76,4%). Os resultados histológicos foram os seguintes: 28 lipossarcomas bem diferenciados, 11 lipossarcomas desdiferenciados, 9 lipossarcomas mixóides e 7 lipossarcomas de alto grau. Tumores bem diferenciados foram mais comuns em mulheres e ocorreram numa idade mais avançada. Após um seguimento médio de 48 meses, a sobrevivência especifica de doença (SED) a 5 anos foi de 63%.
• A histologia, o género, o grau e a invasão de órgãos adjacentes associaram-se ao prognóstico
• Resseção macroscopicamente completa teve impacto significativo na sobrevivência não se verificando diferenças entre resseções R0 e R1.

Verificaram-se 34 recidivas tendo sido todas reoperadas. Com a reintervenção cirúrgica conseguiu-se resgatar estes doentes não se verificando pior SED nos doentes reoperados. A desdiferenciação na recidiva não se associou a um pior prognóstico.
Conclusões: Este grupo de doentes apresenta-se caracteristicamente com lesões de grandes dimensões. Doentes do género feminino tiveram uma sobrevivência melhor, bem como maior número de lesões de baixo grau. Relativamente ao tratamento, a resseção macroscopicamente completa foi o fator mais relevante após o tratamento cirúrgico (ressecção de órgãos adjacentes, se necessário). Os nosso achados suportam a estratégia de ressecção macroscopicamente completa com o recurso à reintervenção, mas novas formas de abordagem são necessárias a fim de melhorar os resultados do tratamento.

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Publicado

2021-04-14

Edição

Secção

Artigos de investigação original

Como Citar

Tratamento cirúrgico de lipossarcoma retroperitoneais: análise retrospetiva de fatores de prognóstico. (2021). Revista Portuguesa de Oncologia, 3(2), 39-48. https://doi.org/10.57678/rpo.24

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